Minha parte

O governo do Piauí quer receber da União parte do que for apurada na eventual privatização da companhia de distribuição de energia do Estado, a antiga Cepisa, atual Eletrobras Piauí. Na véspera do feriado da Independência, Wellington Dias (PT) foi ao Supremo para avistar-se com a ministra Rosa Weber para tratar do processo em que o Estado do Piauí alega que a União assumiu o controle acionário sem o devido pagamento por isso. A Advocacia Geral da União deve contrapor a alegação do governo do Piauí. Mas desde logo, o pedido parece divorciado de alguns fatos, como a entrega de 51% das ações da empresa, em 1997, durante o mandato de Mão Santa, que usou o dinheiro dado em troca para pagar salários de servidores, numa operação celebrada no Ministério da Fazenda no apagar das luzes do ano fiscal. Depois, ainda enrolado com uma desastrosa gestão financeira, o então governador terminou finalizando o processo de federalização com a entrega do controle acionário total da companhia à União. Ao longo do processo houve, sim, o repassa de recursos financeiros. A alegação de que o Piauí não recebeu pela empresa é frágil, embora sempre caiba se contestar o valor, puxando-o para cima, para que se receba uma diferença. No caso da Eletrobras Piauí, a ação judicial do governo estadual no Supremo só torna ainda mais difícil sua privatização, que esbarra na taxa de retorno do investimento, que é de prazo tão longo que desmotiva os investidores.

António Palocci bajula o juiz Moro, que faz cara de paisagem (Foto: Agência O Globo)
António Palocci bajula o juiz Moro, que faz cara de paisagem (Foto: Agência O Globo)

Com Lula
Num desabafo feito logo após Antônio Palocci dizer que Lula e a Odebrecht firmaram um pacto de sangue, Wellington Dias (PT) disse que “Luiz Inácio Lula da Silva é um homem digno” e desapegado de riqueza material.

Pressão
Embora não tenha desqualificado a fala de Palocci, o governador do Piauí questiona as circunstâncias em que o ex-ministro da Fazenda deu as declarações bombásticas para o juiz Sérgio Moro sobre uma propina de R$ 300 milhões.

Fragilidade
A vice-governadora Margarete Coelho (PP) considera que a fala de Antônio Palocci foi colocada numa situação de fragilidade e diante de um Sérgio Moro reticente em acolher uma delação premiada do ex-ministro da Fazenda.

Meloso
Dá para notar que, mesmo sem acordo de delação premiada, que precisa ser negociada com os procuradores e homologada pelo juiz, Palocci quer se safar e praticamente bajula o juiz Moro. Magarete Coelho foi cirúrgica: ele implora diante de um juiz que faz cara de paisagem, reticente em favorecer o réu.

Lugar certo
Margarete considera legítimo e razoável o pleito do PP para ter dois lugares na chapa de Wellington Dias em 2018, que seria vice e o Senado. Ela diz que o partido é um partido grande, com mais de 50 prefeitos e tem sido fundamental para garantir obras e viabilizar recursos para o Estado.

Lá vem!
A coluna tem informação – vazada de Brasília – de que estará em curso outra operação capaz de explodir de vez o esquema do baiano Geddel Vieira Lima. Já se sabe os nomes do operador e doleiro dele.
Não dá mais nem pra pegarem légua. A casa caiu mesmo.

A dinheirama
Nem tudo está esclarecido sobre a dinheirama encontrada em um apartamento de Salvador, atribuído a Geddel Vieira Lima.
Tem mais gente por trás desse esconderijo milionário além do dono do apartamento, Silvio Antônio Cabral da Silveira.

Tem mais gente
No meio do negócio, deve surgir o nome de um outro empresário suspeito, André Vieira Azin, que pode estar usando a empresa de cartão de crédito para lavar esse dinheiro.

Rastro do $$
O que significa dizer que muito mais dinheiro pode estar guardado em outros locais.
Como já se disse aqui, de outras vezes, basta seguir a pista, porque o rastro do dinheiro sempre fica.

Amadorismo
O procurador Rodrigo Janot se antecipou à polícia federal, que tinha recuperado os áudios que foram objeto de divulgação no dia de ontem, e que desmontaram a idoneidade da delação dos diretores da JBS. Se Janot não divulgasse o fato, ele teria recebido a última flechada, arriscando até mesmo uns dias na cadeia.

Amadorismo 2
Já está sendo preparando o pedido de quebra de sigilo bancário, na CPI que investiga o acordo com os irmãos Batista, do procurador Janot e do seu assessor é ex-procurador da República, Marcelo Müller. As flechadas já começam a ser apontadas na direção inversa.

Ping Pong

Palavras difíceis

Na presença do prefeito Manoel Simplício, Sampaio Rameiro, presidente da Agespisa, no Governo Freitas Neto discursa na inauguração do sistema d'água da cidade. 
Sampaio: ''Que este líquido precioso e potável para a população florianense seja uma eternidade''. 
Ouvindo-o, o prefeito, conversa com o assessor Pedrinho Caminhão.
Simplício: ''Pedin, tu sabe o que diabo este homem tá falando aí?''
Pedrinho: ''Sei não, Seu Mané, mas pelo visto não deve ser coisa boa não''.

Publicado originalmente em 13 de agosto de 2003.

Expressas

Dr. Pessoa é um nome cada vez mais aceito como eventual candidato a governador pela oposição.

Mas no partido dele, o cacique-mor, deputado Júlio César, quer ser candidato a senador. E pode fazer qualquer negócio com outro candidato ao governo.

Tem gente dizendo que Dilma Rousseff pode vir ao Piauí até o fim deste mês para mudar domicilio e ser candidata ao Senado pelo Piauí.