Lula inicia caravana pelo Nordeste com apoio de governadores e oposição de prefeitos

A primeira parada é na capital Salvador

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Ricardo Stuckert/Divulgação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) inicia nesta quinta-feira (17), em Salvador, uma caravana que vai percorrer 25 municípios nos nove Estados do Nordeste durante 20 dias. No roteiro, o ex-presidente conta com apoio ou simpatia de sete dos nove governadores, mas deve enfrentar oposição pesada de prefeitos, especialmente nas maiores cidades e capitais do trajeto. 

Nos 20 dias e 4.000 quilômetros, o ex-presidente participará de uma variedade de eventos, desde atos em defesa de políticas públicas da era petista até uma cerimônia de colação de grau, passando por cafés da manhã com prefeitos e políticos locais e reuniões com sindicatos e movimentos sociais da região.

Lula também receberá ao menos três títulos de doutor honoris causa, concedidos pela UFRB (Universidade do Recôncavo da Bahia), UFS (Universidade Federal de Sergipe) e Uneal (Universidade Estadual de Alagoas). Condenado na Lava Jato a 9 anos e 6 meses de prisão em julho, o petista reedita a estratégia das caravanas, usada pela primeira vez em 1993 e repetida em 2001, para fazer sua defesa e também para amarrar alianças, promover realizações de seus governos e apresentar propostas para a campanha de 2018.

A primeira parada é na capital Salvador, às 16h, onde Lula terá a companhia do governador Rui Costa (PT), mas estará bem distante do prefeito soteropolitano, ACM Neto (DEM), que na semana passada recebeu o prefeito de São Paulo e possível pré-candidato à Presidência pelo PSDB, João Doria, que foi recebido a ovadas.  

Na capital baiana Lula vai andar de metrô e fará ato no estádio da Fonte Nova. Também participa do lançamento do livro "Comentários a uma Sentença anunciada – O Processo Lula".

A preparação da viagem de Lula foi marcada por percalços, como mudanças de locais por previsão de protestos e até mesmo ameaça de morte ao reitor da Uneal (Universidade Estadual de Alagoas), que vai oferecer um dos títulos honoris causa a Lula. 

Todo o trajeto deve ser feito por meio rodoviário, com a pequena exceção da travessia de balsa para cruzar o rio São Francisco e chegar a Penedo (AL). Na estrada, Lula terá a companhia fixa apenas de Marcio Macedo, vice-presidente nacional da legenda e organizador da caravana.

A caravana terá um grande aparato de segurança, inclusive com "escolta" de militantes de movimentos sociais durante as viagens. Esta é a primeira fase do projeto, que prevê também caravanas no interior de São Paulo, no Sul, Sudeste e ao Norte.

 

Aliados e opositores no caminho

No roteiro dessas cidades, Lula vai encontrar aliados em 14 das 25 cidades visitadas --mas a maioria em pequenas cidades. A definição dos municípios, inclusive, passou por um crivo político para escolha do mapa. Das cidades escolhidas, seis são governadas por petistas (nenhuma delas é capital).

Algumas das cidades visitadas são identificadas historicamente como de oposição ao PT. É o caso é Campina Grande (PB), conhecida como uma "ilha tucana". O local é reduto do senador Cássio Cunha Lima (PSDB) e o prefeito na cidade, Romero Rodrigues (PSDB), é aliado de primeira hora. A cidade mais populosa do interior nordestino, Feira de Santana (BA), também teve vitória de opositor ferrenho: José Ronaldo (DEM).

Entre as capitais, Lula só deve contar com apoio de prefeito em Aracaju, com Edvaldo Nogueira (PCdoB); e São Luís, com Edvaldo Holanda Filho (PDT).

Nas outras cinco capitais, Lula enfrenta oposição de chefes dos municípios: além de Salvador, Maceió (Rui Palmeira-PSDB), Recife (Geraldo Júlio-PSB), João Pessoa (Luciano Cartaxo-PSD) e Teresina (Firmino Filho-PSDB) tem prefeitos de partidos da oposição. Fortaleza e Natal foram as duas capitais tiradas do mapa.

Parte do baixo apoio deve-se ao resultado pífio nas eleições de 2016, quando o PT perdeu mais de 60% das cidades que governava

Sergipe, o mais visitado

O Estado com mais cidades visitadas será Sergipe, com cinco ao todo. Bahia terá quatro e Alagoas e Piauí, três cada uma.

Se não terá prefeitos, o ex-presidente deve contar com grande apoio de governadores. Apenas dois dos nove Estados não são aliados ou próximos a Lula, entre eles, dois peemedebistas. É o caso dos governadores Jackson Barreto (SE) e Renan Filho (AL). Renan pai e filho, inclusive, devem receber Lula em Penedo, na tarde da terça-feira (22) e acompanhar o petista em terras alagoanas.

A região tem três petistas nos governos: Wellington Dias (Piauí), Camilo Santana (Ceará) e Rui Costa (Bahia). Só quem não apoia são os governadores do Rio Grande do Norte (Robinson Faria-PSD) e Pernambuco (Paulo Câmara-PSB).

Também vai lançar, em duas capitais, a terceira etapa do Memorial da Democracia --projeto do Instituto Lula, em parceria com a Fundação Perseu Abramo, com a história da luta pela democracia no Brasil.