Em vez de Temer, Lula e Dilma

Rodrigo Janot: trapalhadas no final do mandato
Rodrigo Janot: trapalhadas no final do mandato

Quando todo o país esperava que o procurador geral da República Rodrigo Janot protocolasse junto ao Supremo Tribunal Federal, no ocaso de seu mandato no cargo, a segunda denúncia contra Michel Temer, ele surpreende e denuncia os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, e outros integrantes da cúpula do PT, como Aloísio Mercadante, Gleisi Hoffman, e o ex-ministro Paulo Bernardo. As trapalhadas do procurador geral vão marcar o fim de sua gestão e comprometer todo o trabalho do Ministério Público.

Desde o início da Lava Jato, que começou em Curitiba, sob a coordenação do juiz Sérgio Moro, a divulgação de cada etapa das investigações, através do cumprimento de mandados de busca e apreensão, e até de prisão, transcendendo a 1ª instância e chegando aos tribunais superiores, por força do fórum privilegiado de alguns dos investigados, a operação ganhou um viés político, começando pela caça aos políticos da esquerda para endemonizá-los e transformá-los em escória.

Como não foi possível separar o “joio do trigo”, devido o fato de partidos de direita terem se vinculado aos governos petistas, muitos tiveram seu envolvimento com a corrupção exposto na mídia mas prisão mesmo só quem pertence ao PT. Quando o golpe parlamentar de estado derrubou a presidente eleita Dilma Rousseff, o Ministério Público transformou os peemedebistas em seu alvo para atingir Temer e seus comparsas, sem tirar o PT da mira, porque o objetivo é atingir mortalmente o partido.

Com efeito, a operação Lava Jato, que tinha por objeto combater a corrupção no país, quis dar um passo maior que a perna. O procurador geral Rodrigo Janot, tido como o lastro principal, depois de Sérgio Moro, em todo o processo de investigação, cometeu seu maior erro justamente no apagar de seu mandato. Causou estranheza na ocasião, o fato de o MP fechar um acordo de deleção premiada com os irmãos Batista, sem que eles fossem responsabilizados criminalmente nos financiamentos do BNDES ao grupo.

Ora, na ciência do direito não existe crime de corrupção sem corruptor e os irmãos donos da JBS corromperam para obter facilidades nas operações de crédito do banco para suas empresas. Sentindo-se senhores da situação no acordo de delação, eles não só omitiram provas como a forma como as obtiveram estão sendo alvo de investigação. As gravações em que eles conversam entra si debochando de fatos e de pessoas, inclusive ministros do Supremo, apontam para as trapalhadas do procurador.

Rodrigo Janot fez muitas coisas no âmbito da operação mas muitas delas podem se virar contra ele, pois merecem uma profunda investigação pela suas atitudes na condução da Lava Jato junto ao STF. Para tentar amenizar seus tropeços e cessar as críticas contra isso, ele apresentou duas denúncias – uma atrás da outra – contra Lula e contra Dilma em vez de Michel Temer, numa demonstração de que seu projeto não era combater a corrupção mas criminalizar os políticos e a política.