A intenção é outra

A não ser que um fato relevante atropele a concretização do acordo, a aliança entre o PT de Wellington Dias e o PMDB para a disputa das eleições de 2018, onde o governador concorrerá à reeleição, será selada na convenção extraordinária que o partido realizará a pedido do ex-ministro João Henrique no início do próximo ano. Mas se a coligação do PMDB com o PT é cantada e decantada pelo presidente do partido Marcelo Castro, o presidente da Assembléia Themístocles Filho e os deputados, por que João Henrique insiste na convenção extraordinária?

Para encontrar a resposta à essa questão é preciso fazer uma viagem ao passado e trazer alguns detalhes de fatos pretéritos. Em fevereiro de 2002, 3 meses depois de o então governador Mão Santa, que era do PMDB, por exigência do então deputado João Henrique, realizou uma convenção extraordinária para decidir se o partido teria candidato próprio ao governo (no caso ele) ou o então prefeito de Teresina Firmino Filho, o preferido da maioria dos peemedebistas. Resultado: João Henrique perdeu.

Quatro anos depois, com o PT no governo e o PMDB fazendo parte dele, novamente o PMDB se dividiu em relação a uma candidatura própria e uma aliança partidária para apoiar um candidato de outro partido: o “derby” era, de um lado, lançar candidato próprio (desta vez era o então senador Mão Santa que queria voltar ao governo), do outro a maioria dos deputados querendo aliança com o PT e indicar o vice-governador. Na prévia, João Henrique chantageou o grupo de deputados: ou o vice era ele (Kleber Eulálio era o preferido) ou se bandearia para o lado de Mão Santa. Os deputados aceitarem a chantagem mas votaram contra ele na prévia. João Henrique perdeu.

Para as eleições de 2018, o ex-ministro João Henrique tenta novamente aplicar uma “camisa de força” nos deputados peemedebistas insistindo com a mesma estratégia de candidatura própria e até conseguir a realização de mais uma convenção extra. Com base nos fatos passados, a conclusão que se chega é que nas eleições de 2018, caso o governador Wellington Dias consiga a reeleição, abre-se a perspectiva de seu vice vir a ocupar a cadeira em 2022, se ele renunciar para se candidatar ao senado.

No momento, o PMDB está fechado com a candidatura do presidente da Assembléia Themístocles Filho, que já esboçou todo um plano para ser o companheiro de chapa de Wellington Dias, inclusive a candidatura do filho Marco Aurélio para sucedê-lo na cadeira de deputado. No PMDB, todos já sabem que a intenção de João Henrique não é ser candidato a governador como prega. O interesse, como das outras vezes, é ser chamado para ser o indicado. Só que a situação é diferente. Não é o PMDB, é Themístocles, hoje o mais influente dos peemedebistas. A implosão da aliança com o PT em 2018 é algo improvável, mesmo com o espectro de Michel Temer.