Declaração inoportuna

Numa entrevista ao programa “Café com informação”, conduzido pelo jornalista Arimatéia Azevedo, diretor deste AZ, o ex-deputado e presidente estadual do PDT Flávio Nogueira declarou em bom tom que o governador Wellington Dias (PT) é quem vai escolher seu adversário nas eleições de 2018. Mais do que inoportuna, a declaração do pedetista, um aliado de plantão do governador, atropela até a dinâmica da política, quando as conjunturas são etapas imprevisíveis em qualquer lugar.

É óbvio que o ex-deputado se aproveita de um momento em que a oposição no Piauí está dividida, fragilizada e sem rumo mas isso não significa que não haverá candidato à altura para polarizar a disputa e criar dificuldades para que Wellington Dias consiga chegar ao 4º mandato de sua carreira política como governador do estado. O deputado esquece que nestes tempos de incertezas e trevas no fim do túnel, é possível aparecer um nome que possa reunir essas forças dispersas no quadro político.

Dos nomes que até aqui gravitam em torno do processo sucessório, o que mais parece fazer a diferença entre eles é mesmo o do deputado Dr. Pessoa. Como candidato quase avulso a prefeito de Teresina, percorrendo essa selva urbana como uma espécie de Dom Quixote, Dr. Pessoa deu um susto no prefeito Firmino Filho ao ponto de se ele conseguisse levar a disputa para o segundo turno, o resultado talvez não fosse bom para apostas. Dr. Pessoa chegou aos 40% dos votos válidos, cerca de 170 mil votos.

Com esse cacife – essa boa votação na capital – que o Dr. Pessoa pode surpreender um Wellington Dias na votação em Teresina onde ele (o governador) já não possui a hegemonia que o fez vencer na capital em 2002 e 2006 com diferenças expressivas para conquistar 2 mandatos consecutivos. Comparando essas duas eleições com a de 2014, quando a diferença para o então governador Zé Filho foi de apenas 60 mil votos, é de se imaginar Dias pode ir para a disputa com uma Teresina quase dividida.

Portanto, não é consentâneo que um aliado qualquer adote um discurso onde a ênfase é o já ganhou. Talvez o próprio governador, que tem feito esforços para ampliar o leque de apoios partidários para justamente evitar surpresas, não compartilhe com essa postura otimista extrema, sabendo que daqui até julho do próximo ano muitos fatos ainda irão se suceder no processo eleitoral. Talvez fatos até mesmo alheio ao próprio processo mas que podem influenciar a construção de uma conjuntura diferente da que pensam os aliados do governador.

Com certeza, a preocupação do governador hoje deve estar mais voltada para questões urgentes, como é o caso da situação financeira do estado do que com previsões político-eleitorais. Afinal, o controle das finanças será um dos vetores da definição do quadro de disputa e por essa razão agir com cautela e buscar saídas é mais importante do que discursos inoportunos em momentos inoportunos. Como dizia Hugo Napoleão, primeiro as coisas primeiras. E com certeza falar de eleição neste momento é o mesmo que falar de corda em casa de enforcado.