A opinião silencia

Quando Dilma Rousseff era presidente da República há quatro anos e tiveram início as primeiras manifestações, em junho de 2013, contra o governo dela originária de grupos de direitas financiados por partidos políticos que lhe faziam oposição, a opinião dos brasileiros era manifestada em todas as rodas de conversas. Uma classe em especial, a classe média – em todos os estados e cidades – pediam mudanças no governo em atitudes de intolerância claras.

As hostilidades contra o governo e autoridades que a ele pertenciam se faziam manifestar por agressões e xingamentos, principalmente no início das investigações e prisões oriundas da Operação Lava Jato, que na época atingia seu ápice. A conseqüência de toda essa intolerância foi a abertura de um processo de impeachment contra a presidente e sua derrubada do poder, mergulhando o país na crise que se instala por força de um desmonte da máquina pública.

Mesmo com todos os crimes praticados pelos ocupantes do atual governo, já não se vê manifestação de ruas e muito menos opiniões contrárias aos atos de “vandalismo” e desrespeito às normas constitucionais praticadas por agentes políticos e públicos de todos os poderes. Alguns elementos da classe que domina opinião no Brasil chegam a sugerir que o melhor é deixar Temer concluir o mandato iniciado com Dilma Rousseff, a pretexto de tirar o país da crise, como que propondo esquecer os crimes por ele praticados. Com a presidente não havia crime mas era preciso tirá-la. Estranho isso.

O silêncio e a omissão dos brasileiros sobre os atos contra os interesses do país e de sua população, só fazem agravar a situação, principalmente porque Michel Temer tem o domínio justamente sobre o único poder que, por força de dispositivo constitucional, pode apeá-lo do cargo: o Congresso Nacional. Isso ocorre, evidentemente, porque a opinião pública e a sociedade parece anestesiada diante deste quadro, sem perceber que foi enganada por aqueles que prometeram um país melhor sem Dilma Rousseff.

Ao contrário do que prometeram a situação se agrava porque o número de desempregados atingiu os índices de 15 anos atrás, a produção está estagnada, o que caracteriza um fenômeno claro de recessão. O governo comemora inflação baixa e juros a patamares menores. Ora, se a inflação está baixa é porque não há consumo, ninguém está comprando nada; com isso os preços tendem a cair ou permanecer sob controle. Ademais, boa parte da população voltou a ficar abaixo da linha de pobreza.

Ninguém espere que no próximo ano a economia dê sinais de recuperação, porque o governo não tem a necessária credibilidade e o apoio da população para adotar medidas para fazer o país voltar a crescer. As medidas são de ataque ao direito dos cidadãos como é o caso da reforma da previdência, que Michel Temer e seu ministro da Fazenda querem impor à nação. Como os grupos de opinião não estão sendo atingidos ou fingem que tudo está bem e não é o PT que está no governo, Temer pode fazer o que quiser que ninguém reagirá.