Novo, vírgula, mas ombreado com o conservadorismo

Embora tenha origem na necessidade e interesses de uma oposição que busca a todo custo uma bóia para tentar se salvar de um iminente naufrágio eleitoral, a candidatura do deputado Luciano Nunes (PSDB) não pode ser vista como mesmice. Mesmo cumprindo um quarto mandato de deputado estadual – Wellington Dias também foi vereador e deputado, estadual e federal antes de ser governador – o deputado tucano tem sim, de certo modo, um perfil de novo em relação a Dias que está no 4º mandato.

A questão é que a candidatura deste jovem tucano vem sendo tecida por um núcleo político conservador e de raízes oligárquicas longe do respaldo essencial de seu partido. Apesar de o prefeito Firmino Filho ter declarado publicamente que Luciano é um pré-candidato do PSDB, ele o fez com um sorriso amarelo só percebido por quem o conhece. O surgimento da candidatura sem que lhe fosse dado conhecer ou por sua própria iniciativa, deixou Firmino roendo as unhas pela contrariedade contida.

De qualquer forma o nome de Luciano Nunes, mesmo carente de crédito para levantar vôo, entra no debate sucessório trazendo boas perspectivas neste início do processo da sucessão estadual. A oposição tem é procurado um “nome para chamar de seu” e até este momento, a forma desesperada como a oposição divulga sua movimentação levanta dúvida de que possa vir a se consolidar e se viabilizar como alternativa. Essa estratégia, caso não vingue, colocará os líderes do movimento de volta à estaca zero.

O que Luciano Nunes precisa dizer é se a candidatura é de fato sua e de seu partido para não correr o risco de ficar refém daqueles que, em busca de um palanque para se eleger, o coloque sob sua tutela. Assumindo o comando de tal empreitada, ele poderá ter força para escolher seu companheiro e os demais componentes da chapa majoritária sem que para isso tenha que ceder a vontades em que a soma de forças dê lugar ao conchavo em troca do apoio político e eleitoral.

Um candidato de oposição que de fato quer se colocar como alternativa e alcance a competitividade deve levar em conta que a chapa seja composta por personagens que venha somar forças, que partidos de respaldo chegue para reforçar o crédito que a candidatura deve conquistar. Tendo isso como ponto de partida, o deputado tucano tem sim possibilidade de polarizar a disputa, sem contar que o discurso é um fator a fortalecer a estratégia de viabilização de seu nome.

É preciso também o deputado não esquecer que o adversário a enfrentar na campanha é um nome forte política e eleitoralmente no estado e assim evitar atitudes de menosprezo ou de arrogância, como as demonstradas por aqueles que estão por trás de sua candidatura. Agindo moderadamente, como é de seu perfil, e contendo os extremismos dos que o cercam, ele pode vir a se viabilizar. Desta forma, ele pode sim ser visto como o novo. Novo vírgula mas ombreado com o conservadorismo.