O PT se rebela

A pressão para que a coligação governista seja estendida à disputa proporcional, com a formação de um chapão, tanto para deputado estadual quanto federal, é mais um abacaxi para o governador Wellington Dias descascar. O PT já fechou questão sobre o assunto e seu presidente, o deputado Assis Carvalho, anunciou que o partido disputará com chapa pura as eleições para a Assembléia e a Câmara dos Deputados, levando os aliados a colocarem pressão no governador para obrigar o PT a formar o chapão.

Se o PT levar essa decisão até a realização das convenções em julho, os partidos aliados, principalmente os que têm apenas 1 ou 2 candidatos e apostam no chapão com a soma de legendas para conquistar cadeiras, terão dificuldades em viabilizar seu candidato. É o caso, por exemplo, do PDT e PSD, que têm apenas um deputado. O PDT ainda tem como válvula de escape um compromisso com a cúpula do PP de ser aceito em sua chapa, já que o partido não vê problema em também sair com chapa pura.

Em meio a esse processo de negociação para a formação das chapas dentro da base do governo, o que se tira dele é que o PT quer também só tirar vantagem. Quer também ter poder de decisão dentro desse processo. Na opinião de Assis são os aliados que querem impor tudo a começar pela chapa majoritária onde só dão ao PT o direito de indicar o candidato a governador, ou seja, nenhum partido pode ter mais de um cargo na chapa. Ainda por cima querem impor um chapão na disputa proporcional.

Como presidente do PT, Assis disse que é obrigado a separar o que é o partido e o que é governador e o governo. “O governador é nosso companheiro, defendemos ele em qualquer situação, vamos para a campanha, mas é preciso separar o que é de interesse do governo e o que é de interesse do PT”, ressalta. Assis avalia que se os partidos aliados estão pensando apenas nele seu partido também vai pensar apenas nele próprio e preservar os candidatos que pleitearão mandato em outubro.

É óbvio que a posição do PT causa desconforto no governador Wellington Dias, já que ele próprio articula os apoios ao seu projeto de reeleição. Muitos partidos estão na base na perspectiva de uma aliança em todos os níveis, principalmente os que não têm peso eleitoral para figurar na chapa majoritária. Daí porque estão preocupados com a decisão do PT. A decisão de disputar a eleição com chapa proporcional pura não desafia apenas os aliados mas o próprio governador precisará convencer os petistas.

Para que a aliança proporcional seja como os aliados querem, o PT colocou as cartas na mesa e mandou os aliados escolherem: se querem o chapão tudo bem mas terão que abrir mão da indicação do cargo de vice-governador. Ou uma coisa ou outra. Não será fácil convencer os petistas pelo fato de já terem fechado questão em torno do assunto. Mais uma vez – como ocorreu nas outras eleições – Wellington Dias terá de usar seu espírito conciliador para superar mais um conflito dentro de seu partido.