A melhor opção

O afunilamento da disputa presidencial começa a obrigar os partidos a buscarem as alternativas mais viáveis para uma aliança eleitoral. Já se disse aqui neste blog que os líderes políticos que se lançaram pré-candidatos, alguns acabariam por desistir devido à ausência de um potencial eleitoral mínimo para se viabilizarem. Foram os casos do ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa, de Michel Temer, e muito provavelmente o presidente da Câmara Rodrigo Maia e o ex-ministro da Fazenda Henrique Meireles.

Sobrariam então como candidatos, o ex-governador de São Paulo, como representante da direita (não do centro), o deputado Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita, Marina Silva, que ninguém sabe em que posição ela está, o ex-ministro Ciro Gomes, o ex-presidente Lula, que embora condenado o PT insiste em que é candidato, a deputada Manuela D’Ávila (PC do B), e outros, obviamente, pertencentes a siglas menores e que entram no processo apenas como figurantes.

Com a desistência de Joaquim Barbosa, o PSB, sem outra alternativa, decidiu procurar o candidato do PDT Ciro Gomes para dar início a um processo de diálogo sobre uma possível aliança. O seu partido vê o PSB como uma ótima opção de aliança onde o partido do ex-governador Eduardo Campos (PE), morto em acidente de avião em 2014 quando viajava em campanha eleitoral, poderia indicar um candidato a vice. Embora seja um partido com boa penetração, está dividido, já que em São Paulo apóia Geraldo Alckimin (PSDB) para presidente.

Outro partido que começou a flertar com Ciro Gomes foi o PP, presidido no país pelo senador piauiense Ciro Nogueira. Na quinta-feira (17), Nogueira teve um encontro com o irmão de Ciro, o ex-governador do Ceará Cid Gomes. Embora tenha desconversado sobre o teor da conversa, ninguém tem dúvida de que o presidente do PP fez sondagens sobre a possibilidade de composições partidárias. O PP, embora tenha dialogado com alguns candidatos, ainda não definiu quem apoiará para presidente.

De outro lado, o presidente da Câmara Rodrigo Maia, que começou a ver entrar água em sua candidatura, onde as pesquisas de intenções de voto mostram ele com muito pouca viabilidade, já pensa em reavaliar esse projeto (que nem deveria ter sido posto em prática) e levar seu partido a buscar alternativas. Acredita-se que Maia não vê problema em unir seu partido a um candidato como Bolsonaro, assim como Meireles ou Geraldo Alckimin. O centro e a direita é a melhor opção para o DEM.

Na medida em que o tempo entre o período da pré-campanha, as convenções e a campanha, abre-se a perspectiva de que neste processo de aproximação entre os partidos com vistas as eleições presidenciais, o PT parece caminhar para o isolamento com a decisão de manter a candidatura de Lula. É uma estratégia do partido, com toda a certeza. Ciro Gomes começa a ampliar seus espaços. A procura dos partidos e a posição de alguns governadores podem fazer dele a melhor opção à centro-esquerda.