Teresina 165 anos: a cidade que é feita por elas

Histórias de mulheres que contribuem com os avanços da capital

A cidade feita por elas. Esse é o tema de celebração aos 165 anos de Teresina e que também dá destaque a atuação das mulheres no desenvolvimento da capital.

Teresina possui 433.618 mulheres residentes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estática (IBGE). O que corresponde a um número superior a quantidade de homens que é de 380.612.

Dentre essas milhares de mulheres que têm contribuindo com os avanços da cidade, o Portal AZ entrevistou a Adalgisa Gomes de Sousa Silva, líder comunitária no Parque Bom Futuro, zona sudeste da capital.

Adalgisa Gomes de Sousa Silva, líder comunitária no Parque Bom Futuro
Adalgisa Gomes de Sousa Silva, líder comunitária no Parque Bom Futuro

Professora, mãe de duas meninas e casada, ela divide seu tempo sendo ainda a diretora social da Associação de Moradores de sua região onde ela relata com muita felicidade os avanços do seu bairro, através de mobilização, empenho e dedicação.

“A população do Parque Bom Futuro clamava pela construção de asfalto no trecho que dava acesso ao Todos os Santos e a Taboca do Pau Ferrado. Levamos a demanda à Prefeitura e com muita insistência, conseguimos atingir nosso objetivo”, disse Adalgisa.

A associação é composta por dez pessoas. Oito destas são mulheres que se organizam mensalmente para discutirem as questões do bairro, como por exemplo, a necessidade de uma quadra poliesportiva que foi construída para atender aos jovens do local.

“Nós tínhamos a noção de que precisávamos de um lugar para a prática esportiva, principalmente, para os jovens, tendo em vista a situação de extrema vulnerabilidade social em que se encontravam. Então, foi possível que conseguíssemos mais essa obra para o nosso bairro. Mas não é fácil, requer tempo e disposição para lutar por esses avanços, que às vezes é desconhecido pelo próprio poder público”, afirmou.

Dona Adalgisa complementou ainda que o próximo projeto para o bairro é a execução de ações voltadas para a juventude. Isto deve acontecer por meio de palestras de cunho preventivo no tocante ao uso de drogas, prostituição, doenças sexualmente transmissíveis, dentre outros assuntos pertinentes.

Para ela, a participação das mulheres teresinenses nos espaços de poder ainda é muito pequena, o que seria relevante que elas compreendessem seu papel na sociedade como um ser político.

“Vamos nos empoderar para ocuparmos mais espaços de decisão e termos autonomia para que possamos romper o ciclo de violência que, infelizmente, ainda vivemos.  Precisamos de mais ações de políticas públicas. Temos um papel muito importante na sociedade e devemos exercê-lo para melhorarmos nossas condições de vida”, destacou.

Em comum ao engajamento de dona Adalgisa para a transformação social da juventude de seu bairro, a contadora, Magaly Soares tem contribuindo   voluntariamente, há 18 anos, no funcionamento do Lar de Maria, localizado no bairro Piçarra, zona sul de Teresina. O projeto é realizado pela Rede Feminina Estadual de Combate ao Câncer do Piauí que atende pacientes oncológicos em situação de vulnerabilidade social.

Lar de maria (Foto: Divulgação)
Lar de maria (Foto: Divulgação)

Magaly se envolveu com o projeto quando conheceu a campanha BigMac Feliz organizada pelo Instituto Ronald McDonald  na qual na compra de um sanduíche BigMac o dinheiro é revestido para instituições que atuam na cura do câncer infantojuvenil. Neste ano, a ação acontece no dia 26 de agosto.

Magaly Soares
Magaly Soares

“Antes de entrar na Rede Feminina, eu fazia visitas a orfanatos sempre em datas comemorativas. Mas eu queria participar de algo mais consistente e não apenas em datas festivas. Foi quando eu conheci a campanha do BigMac e comecei a me engajar no Lar de Maria que aqui no Piauí é a unidade que atua na causa e recebe a doação”, pontuou.

Trabalhando como tesoureira na unidade, Magaly também é proprietária de um escritório de contabilidade, e afirma que os serviços para o funcionamento do Lar de Maria, são distribuídos entre 70 voluntárias. Mulheres que como ela, também, disponibilizam parte de suas rotinas para colaborar com o local.

“Existem os setores, mas nós sempre trabalhamos conjuntamente por diversas vezes, como por exemplo, nas campanhas. Nós mulheres conseguimos dividir inúmeras atividades ao longo do dia, inclusive, no trabalho voluntário. A gente percebe que o público feminino é o mais engajado”, afirmou.

Casada e mãe de três filhos, Magaly conta que toda sua família participa das ações do lar. “O trabalho voluntário engrandece a cidade. Você trabalha com mais amor e o resultado é o bem-estar do próximo”, destacou.

Um dos quartos que acolhe os pacientes oncológicos da Casa (Foto: Divulgação)
Um dos quartos que acolhe os pacientes oncológicos da Casa (Foto: Divulgação)

"Pode me chamar de Teresina" 

Em celebração ao aniversário da cidade, a Prefeitura de Teresina vai homenagear 30 mulheres que contribuem com o desenvolvimento da capital, na solenidade de outorga da Medalha do Mérito Conselheiro Saraiva.

A comenda foi criada pela Lei nº 684, de 16 de agosto de 1985, e alterada pela Lei nº 1.473, de 17 de julho de 1990, tendo o objetivo de homenagear personalidades e instituições que prestam relevantes serviços para a cidade.

O evento acontece nesta quarta-feira (16), às 20h, no Teatro 04 de Setembro.