'BLW' na introdução alimentar do bebê. Devo ou não adotar?

A técnica ainda é pouco conhecida no Piauí, mas acaba sendo um aliado na hora de alternar entre a amamentação e a IA

Olá mamães (e futuras)!

Esse post é especialmente pra você que tirou um tempinho dessa vida tão corrida para saber mais sobre esse tal “BLW”. Confesso que muita gente que me ouviu falar essa sigla ficou sem entender então vamos explicar logo o significado.

Baby Led Weaning, ou apenas “BLW”, como é conhecida, nada mais é do que a técnica onde a introdução alimentar do bebê acontece de forma guiada, ou seja, sem o uso de colheres, papinhas ou mingaus. O método foi criado pela britânica Gill Rapley, consultora em saúde e autora do livro Baby-led Weaning: Helping Your Baby To Love Good Food (“Baby-led Weaning: ajudando seu bebê a amar boa comida”, em português) e vem conquistando cada vez mais adeptas no Brasil.

“Como assim BLW tia?”
“Como assim BLW tia?”

Essa técnica ainda é pouco conhecida no Piauí, mas acaba sendo um aliado na hora de alternar entre a amamentação e a introdução alimentar. Apesar dos benefícios como, por exemplo, auxiliar o desenvolvimento motor da criança, o método vem dividindo opiniões, já que ao incentivar a autonomia do bebê durante as refeições, a técnica acaba trazendo alguns riscos.

A mamãe Bruna Fontinele contou pra gente que conheceu o BLW quando estava grávida do pequeno Khaio Gabriel (foto acima), mas que não aplica 100% o método durante a introdução alimentar do filho.

“Para fazer o BLW é preciso ter ‘sangue no olho’. Eu procuro intercalar com o método participativo, que é o mais comum, que todas as mães utilizam. É perigoso quando você não sabe como é o corte correto dos alimentos, meu filho inclusive já engasgou comendo melão, foi uma das piores situações que já vivi em minha vida”, conta Fontinele.

Mensário do pequeno Khaio
Mensário do pequeno Khaio

No início de novembro o pequeno Khaio completou seis meses, idade recomendada para que o bebê comece a fazer as refeições sentado em sua cadeirinha junto com a família. Acontece mais ou menos assim: ao aplicar o método, a comida (frutas, legumes, verduras) é oferecida picada, em formas e tamanhos que eles sejam capazes de segurá-la com as mãos e levá-la à boca.

Bruna, que faz parte do grupo “Irmães”, explica que apesar do BLW ter bastante aceitação, ela tem se adaptado melhor ao método participativo.

“Como mãe eu quero vê-lo comendo de verdade e usando o método participativo eu me sinto mais segura com relação a ele estar de fato se alimentando. Já o método BLW ainda está sendo estudado, então meu conselho para as mamães que pretendem fazê-lo é: estude! Se empodere, pois, na teoria é fácil, ao menos eu achava, mas na prática é você viver com o coração na mão”, diz a mãe de Khaio Gabriel.

Como eu disse, o BLW divide opiniões. A mãe da pequena Maria Laura, Cind Elane Rodrigues, se diz totalmente a favor do Baby Led Weaning. Ela conta que conheceu o método através das redes sociais e que, através disso, enxerga a possibilidade da filha comer de forma saudável.

Maria Laura com seis meses
Maria Laura com seis meses

“Os alimentos são cozidos a vapor, sem gordura e sem sal, então o bebê se acostuma ao sabor natural dos alimentos. Adotar o BLW é oferecer possibilidades de sabores ao bebê, texturas diferentes e o mais importante que é dar autonomia para ele escolher o que quer comer, a quantidade que irá comer e se vai querer comer. Nada é forçado e tudo flui com muita paciência”, diz Cind Elane.

Cind conta que aderiu ao BLW aos seis meses de idade da filha e desde então a pequena tem se dado bem com o método.

Maria hoje com dois anos e sete meses... fitness já desde pequena essa menina rsrs
Maria hoje com dois anos e sete meses... fitness já desde pequena essa menina rsrs

“A amamentação para mim continua sendo prioridade até o primeiro ano de idade da Maria Laura. A IA [Introdução Alimentar] é apenas para ela ir se acostumando ao gosto dos alimentos, por isso, eu não exijo que ela coma tudo e nem que coma todas as refeições diárias. No começo ela jogava no chão, brincava, tem dias que nem queria comer. Isso é normal até eles descobrirem que estão comendo pra saciar a fome”, conta a mãe de Maria Laura.

É dica que você quer?

Eu procurei a pediatra Andrea Borges para que ela me desse uma opinião clínica sobre o assunto e ela me contou que o método BLW tem sim suas vantagens como o fato da criança explorar com as mãos a comida, descobrir o sabor e textura de cada alimento, dando assim uma maior autonomia ao bebê.

“A desvantagem é que a criança pode não se interessar pelo alimento, então dá para intercalar entre refeições oferecidas pela mãe e as frutas ou verduras, que é para não haver prejuízo no ganho de peso. Não esquecer que precisam ser pedaços adequados que façam com que a criança trabalhe a coordenação motora”, disse a pediatra.

Ela avisa que o adequado é oferecer pedaços em forma de palito, para que o bebê consiga segurar e morder sem engasgar. Além disso, a mãe pode introduzir arroz e papas espessas que a criança consiga pegar.

“Lembrando que essa técnica não é indicada para prematuro e nem devemos oferecer alimentos que contenham caroços, espinhas ou cartilagens sob o risco de engasgo. Sempre que oferecer pedaços de alimentos tem que fica supervisionando, pois, é o início de uma nova fase alimentar da criança”, explica.

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