Elle é cinema em estado bruto

Ah, o cinema e sua capacidade de me tornar uma pessoa mais feliz, mesmo depois de ter assistido o sufocante Elle (França/Alemanha/Bélgica) na minha estreia na sala de cinema Cult/alternativo/europeu/filme de arte do Teresina Shopping. Dirigido pelo talentoso Paul Verhoeven (Soldado de Laranja, Robocop, Quarto Homem, Conquista Sangrenta, Instinto Selvagem, Tropas Estelares, Homem sem Sombra, Espiã) o filme mostra o estupro de uma poderosa empresária de jogos eletrônicos de Paris, Michele (Isabelle Hupert, seguramente, a melhor atriz de cinema viva ao lado de Mrs. Streep).

Depois de petardos como Dama das Camélias, Professora de Piano e tantos outros, a atriz ainda continua em plena forma no alto de seus 63 anos. E prova todo o seu talento nesse papel difícil.

Depois de violentada pelo menos quatro vezes durante a projeção em vez de procurar vingança, vive sua vida normalmente e que vida: separada, Michele transa com o marido da melhor amiga, vive às turras com a nora que humilha o filho babaca, vê sua mãe sendo enganada por uma cafetão, é odiada por boa parte de sua equipe e é filha de um serial killler. Ufa!

Se fosse um filme americano, na cena seguinte, Michele estaria armada à procura de vingança, mas não aqui, o jogo do roteiro é que a trama vire uma espécie de sedução e fascínio até o final redentor (não poderia ser diferente). E como Huppert brilha: sem explosões, ela está dona do espetáculo com um Verhoeven absolutamente ciente do seu ofício, levando a gente para onde quer.

Ah, tinha 12 pessoas afortunadas comigo suspirando em cada frame, ah, o cinema...