Temer recebe no Planalto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos

Presidentes devem discutir crise migratória da Venezuela, que afeta os dois países, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores

O presidente Michel Temer recebeu nesta terça-feira (20), no Palácio do Planalto, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), os dois líderes devem discutir o fluxo migratório da Venezuela, já que Brasil e Colômbia receberam nos últimos anos milhares de refugiados em razão da crise do país vizinho.

Além do êxodo venezuelano e da segurança nas fronteiras, o MRE informou que a reunião trata de questões de comércio, investimento, cooperação em agricultura familiar e desminagem.

Temer e Juan Manuel Santos posam para foto no Palácio do Planalto (Foto: Guilherme Mazui/G1)
Temer e Juan Manuel Santos posam para foto no Palácio do Planalto (Foto: Guilherme Mazui/G1)

A aproximação entre Mercosul e Aliança do Pacífico e o apoio brasileiro ao processo de paz na Colômbia também devem entrar na pauta do encontro, com a presença de ministros dos dois países.

O MRE classifica a Colômbia como uma “parceria estratégica” do Brasil.

O comércio bilateral cresceu 25% e somou US$3,9 bilhões em 2017, com superávit de cerca de US$ 1 bilhão em favor do Brasil.
Após a reunião, está prevista uma cerimônia para assinatura de acordos entre os países. Em seguida, Temer oferece um almoço a Santos no Palácio Itamaraty, sede do MRE.

Imigração venezuelana

Brasil e Colômbia, que fazem fronteira com a Venezuela, lidam com a onda migratória provocada pela crise social, econômica e política no país governador por Nicolás Maduro.

A Colômbia tem adotado medidas para reforçar o controle na fronteira e a entrada de imigrantes. O Brasil também decidiu reforçar o controle na fronteira, em Roraima.

O estado é o mais afetado pela chegada desenfreada de venezuelanos. Em fevereiro, Temer assinou decreto que reconheceu situação de "vulnerabilidade" de Roraima decorrente do fluxo migratório provocado pela “crise humanitária” na Venezuela.

Na semana passada, o governo publicou medida provisória que liberou crédito de R$ 190 milhões para ações humanitárias a venezuelanos que estão em Roraima. Segundo a prefeitura de Boa Vista, 40 mil venezuelanos vivem na cidade, o que representa mais de 10% dos 330 mil habitantes da capital.

Primeira infância

Temer e Santos também têm previsão de participar, na tarde desta terça, de um seminário internacional sobre primeira infância, realizada em Brasília. O presidente colombiano dará uma palestra no evento.

A primeira-dama Marcela Temer é aguardada no evento, com as presenças de empresários, acadêmicos e representantes de organizações não governamentais.

Na área de primeira infância, o governo brasileiro lançou em 2016 o programa Criança Feliz, voltado para crianças entre zero e 3 anos de idade e gestantes beneficiárias do Bolsa Família. O programa também atende a criança de até 6 anos cujas famílias recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

No programa, todas as semanas profissionais visitam as famílias e ensinam aos pais maneiras de estimular o desenvolvimento dos filhos. No momento, conforme o Ministério do Desenvolvimento Social, as visitas ocorrem em 1.937 cidades, com mais de 239 mil crianças e gestantes beneficiados.

Juan Manuel Santos

Juan Manuel Santos Calderón, 66 anos, está no segundo mandato como presidente da Colômbia – foi eleito em 2010 e reeleito em 2014.
Natural de Bogotá, Santos nasceu em 10 de agosto de 1951. Ele estudou economia e administração de empresas na Universidade do Kansas, fez pós-graduação em Harvard e na Escola de Economia e Ciência Política de Londres.

Seu tio-avô Eduardo Santos foi presidente (1938-1942) e sua família dirigiu o jornal "El Tiempo", o mais influente do país. Santos foi colunista e subdiretor da publicação.

Em 2016, o presidente colombiano ganhou o Prêmio Nobel da Paz pelo esforço de pacificação do país, já que foi um dos líderes da negociação do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). No momento, o governo se concentra nas conversas para fechar um acordo de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN).