Com desaceleração da Apple, rivais chinesas conquistam mercados desenvolvidos

Chinesas já exportam 40% de seus celulares, quase o dobro de três anos atrás

O ritmo lento de inovação da Apple oferece aos rivais asiáticos a melhor chance de conquistar mercados desenvolvidos, graças a melhores designs e preços mais baixos.

O iPhone x é apresentado pelo vice-presidente senior de marketing global da apple, Phil Schiller, em evento em Cupertino, na Califórnia (Foto: Stephen Lam/Reuters)
O iPhone x é apresentado pelo vice-presidente senior de marketing global da apple, Phil Schiller, em evento em Cupertino, na Califórnia (Foto: Stephen Lam/Reuters)

A Apple anunciou na semana passada novos iPhones com carregamento sem fio, uma tela de ponta a ponta e câmeras duplas -- recursos já amplamente disponíveis em telefones das chinesas Huawei e Oppo e da Samsung.

Enquanto a Apple deve convencer os compradores a desembolsar US$ 1 mil por seu modelo de ponta, os competidores estão se inclinando para o mercado de luxo, mas oferecem características semelhantes e mais baratas.

As marcas chinesas, antes vistas como baratas e imitadoras, aumentaram a qualidade e agora controlam quase metade do mercado de dispositivos móveis global. Ao incluir recursos de alta tecnologia em dispositivos acessíveis, elas também conquistaram alguns usuários leais da Apple.

"A Huawei é vista como uma concorrente relevante para a Apple e a Samsung por cobrir todos os principais pontos de preço e fazer grandes investimentos em marketing e vendas", disse uma porta-voz da MediaMarktSaturn, maior revendedora de eletrônicos da Europa.
 
Ela disse que Huawei, ZTE, Lenovo e TCL estavam entre as 10 marcas de smartphones mais vendidas em suas lojas.

O rápido crescimento das fabricantes chinesas foi impulsionado por fortes vendas no mercado interno, mas agora elas exportam 40% dos seus smartphones, quase o dobro do número de apenas três anos atrás, de acordo com a CLSA.

A Huawei, cujas exportações de smartphones para a Europa cresceram mais de 50 por cento no primeiro semestre deste ano, está perto de superar a Apple como segunda maior fabricante do mundo.

Com sua crescente escala e nivelamento de melhoras de hardware, outras empresas chinesas também estão tentando invadir o mercado de smartphones de alta tecnologia.

"Marcas chinesas com escala crescente, acesso à mesma cadeia de suprimentos, aumento do poder de compra de componentes, marketing agressivo e as ofertas que valem o preço bloquearam o crescimento da Apple e anularam pontos de diferenciação", disse o diretor de pesquisa da Counterpoint, Neil Shah.

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